Jan 14, 2009

Rádio-mistério

Um misterioso sinal ecoa pelo cosmos, impedindo os astrónomos de observar o calor gerado pelas pimeiras estrelas. Foi esta radiação que o ARCADE descobriu. O ruído é 6 vezes maior do que o esperado e os astrónomos não têm ideia do porquê.

Uma equipa liderada por Alan Kogut of NASA's Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Md., anunciou na semana passada a descoberta de uma nova radiação de fundo, 6 vezes maior do que o previsto.
A descoberta foi feita pelo ARCADE (Radiometer for Cosmology, Astrophysics, and Diffuse Emission), a bordo de um balão a uma altitude de cerca de 36 500 metros.

"Em vez do fraco sinal que esperávamos encontrar, lá estava este ruído 6 vezes maior do que se previa". Análises detalhadas excluiram a hipótese de a origem ter vindo de estrelas primordiais ou de fontes rádio conhecidas. A fonte desta radiação de fundo permanece, por isso, em mistério.

"Isto é o que torna a ciência tão excitante", diz Michael Seiffert, um membro da equipa no NASA's Jet Propulsion Laboratory em Pasadena, Calif. "Traças um caminho para medir algo - neste caso, o calor emitido pelas primeiras estrelas - mas dás de caras com outra coisa completamente diferente e inexplicável".

O ARCADE é o primeiro instrumento suficientemente preciso para detectar esta radiação misteriosa. Para aumentar a sua sensibilidade dos seus receptores rádio, estes foram imersos em mais de 2 270 litros de hélio líquido a 2,7 Kelvin ( -270,3 ºC).

Este é a mesma temperatura que a radiação cósmica de fundo (CMB), descoberta em 1965. " Se o ARCADE está à mesma temperatura que a CMB, então o calor do instrumento não contamina o sinal", explica Kogut.

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