Jan 16, 2009

Afinal Marte Está Vivo


Há milhares de milhões de anos que Marte é frio e seco, aparentemente desprovido de vida, pelo menos à superfície. A sua atmosfera é tão rarefeita que qualquer água rapidamente evapora. No entanto, uma pesquisa publicada ontem na Science Express revela uma nova esperança para Marte. A primeira detecção de metano na atmosfera marciana indica que o planeta ainda está vivo, biológica ou geológicamente, de acordo com uma equipa da NASA e cientistas universitários.

"O metano é rapidamente destruído na atmosfera marciana por várias maneiras, por isso a nossa descoberta de focos com subtancial libertação de metano no hemisfério norte de Marte em 2003 indica que há algum processo a decorrer que liberta o gás", diz o responsável Michael Mumma do NASA's Goddard Space Flight Center. "A meio do verão no hemisfério norte, o metano é libertado a uma taxa comparável com o do massivo Coal Oil Point em Santa Barbara, Calif".


Muito do metano na Terra tem origem nos organismos vivos ao obter os seus nutrientes. No entanto, ele pode também ser produzido por processos geológicos, como a oxidação do ferro. "Não temos informação suficiente para dizer se a origem do metano é biológica ou geológica (ou ambas)", diz Mumma. "Mas diz-nos que o planeta ainda está vivo, pelo menos geológicamente".

Missões futuras, como a Mars Science Laboratory da NASA, poderão descobrir a origem do metano marciano. Uma maneira de saber se a vida é a fonte de metano é medindo as percentagens de isótopos. Os isótopos são versões mais pesadas de um elemento. Como a vida prefere usar isótopos leves, se o metano tiver menos deutério (isótopo do hidrogénio) que a água libertada com ele, em Marte, é um sinal que é a vida que está a produzir o metano.

Seja qual for a fonte de metano que pesquisas futuras revelarão - biológica ou geológica - uma coisa é certa: afinal de contas, Marte não está tão morto quanto isso.

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