Jan 17, 2009

Venus Dichotomy


Depois de ter fotografado Vénus à cerca de um mês atrás, aqui fica o meu segundo Vénus. As nuvens estavam a ameaçar, e a cobrir o horizonte SW e W, deixando apenas visível um pouco de céu aqui e ali. No entanto, como um bom astrónomo amador que se preze, lá fui em montar o meu colector de fotões. Cerca de 5 minutos depois, o telescópio já tinha condensação, mas o céu estava mais limpo. Vénus parecia uma bola de fogo no céu ao crepúsculo. Lá apontei para Vénus, dei uma olhadela pela ocular, onde se via o seu disco meio iluminado, o seeing apesar de não ter estado particularmente bom, estava muito melhor que da última vez e permitiu-me ver Vénus com a minha ortoscópica e barlow a 333x. Desta vez, não usei filtro UV-IR block na SPC para tentar obter algum detalhe das nuvens venusianas. Ajustei também melhor os settings da webcam de modo a não obter o planeta sobreexposto como da última vez, retocar a focagem e começar a captura do avi de 3 minutos e meio. O resultado final foi a imagem acima (à esquerda, a imagem original; à direita, a mesma imagem resized 150%), com Vénus quase 50% iluminado (dicotomia), no entanto não obtive nenhum detalhe das núvens, o que não me surpreendeu visto que é muito difícil, e que só com filtros IR pass e UV pass é que se consegue obter bons resultados, pois as nuvens venusianas mostram-se melhor no UV. Com SkyView Pro 8"+SPC+barlow 2x APO, no dia 16 de Janeiro, às 17h53 UT.
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This is my second effort to image Venus. The clouds threatned to cover the sky, but as a good amateur astronomer, I set up my photons collector. Venus was shinning as a fireball in the dusk. Through the eyepiece, I could see Venus half illuminated (dichotomy), and even the seeing wasn't great, it was much better than last time, so, I tried my orthoscopic and barlow combo, and I saw Venus at 333x. This time, I didn't use the UV-IR block filter on my SPC to try to capture some cloud detail and I adjusted the settings to not overexpose the 2º planet. The result was the photo shown here (at left, the original image; at right, the same image resized 150%), where we can see the phase of Venus, but no cloud detail, which is not a surprise because it's hard to get these details without a IR pass and UV pass filters, because the clouds are better seen in UV. Setup: SkyView Pro 8"+SPC+barlow 2x APO, on January 16th, at 17h53 UT.

Jan 16, 2009

Afinal Marte Está Vivo


Há milhares de milhões de anos que Marte é frio e seco, aparentemente desprovido de vida, pelo menos à superfície. A sua atmosfera é tão rarefeita que qualquer água rapidamente evapora. No entanto, uma pesquisa publicada ontem na Science Express revela uma nova esperança para Marte. A primeira detecção de metano na atmosfera marciana indica que o planeta ainda está vivo, biológica ou geológicamente, de acordo com uma equipa da NASA e cientistas universitários.

"O metano é rapidamente destruído na atmosfera marciana por várias maneiras, por isso a nossa descoberta de focos com subtancial libertação de metano no hemisfério norte de Marte em 2003 indica que há algum processo a decorrer que liberta o gás", diz o responsável Michael Mumma do NASA's Goddard Space Flight Center. "A meio do verão no hemisfério norte, o metano é libertado a uma taxa comparável com o do massivo Coal Oil Point em Santa Barbara, Calif".


Muito do metano na Terra tem origem nos organismos vivos ao obter os seus nutrientes. No entanto, ele pode também ser produzido por processos geológicos, como a oxidação do ferro. "Não temos informação suficiente para dizer se a origem do metano é biológica ou geológica (ou ambas)", diz Mumma. "Mas diz-nos que o planeta ainda está vivo, pelo menos geológicamente".

Missões futuras, como a Mars Science Laboratory da NASA, poderão descobrir a origem do metano marciano. Uma maneira de saber se a vida é a fonte de metano é medindo as percentagens de isótopos. Os isótopos são versões mais pesadas de um elemento. Como a vida prefere usar isótopos leves, se o metano tiver menos deutério (isótopo do hidrogénio) que a água libertada com ele, em Marte, é um sinal que é a vida que está a produzir o metano.

Seja qual for a fonte de metano que pesquisas futuras revelarão - biológica ou geológica - uma coisa é certa: afinal de contas, Marte não está tão morto quanto isso.

Jan 14, 2009

Rádio-mistério

Um misterioso sinal ecoa pelo cosmos, impedindo os astrónomos de observar o calor gerado pelas pimeiras estrelas. Foi esta radiação que o ARCADE descobriu. O ruído é 6 vezes maior do que o esperado e os astrónomos não têm ideia do porquê.

Uma equipa liderada por Alan Kogut of NASA's Goddard Space Flight Center in Greenbelt, Md., anunciou na semana passada a descoberta de uma nova radiação de fundo, 6 vezes maior do que o previsto.
A descoberta foi feita pelo ARCADE (Radiometer for Cosmology, Astrophysics, and Diffuse Emission), a bordo de um balão a uma altitude de cerca de 36 500 metros.

"Em vez do fraco sinal que esperávamos encontrar, lá estava este ruído 6 vezes maior do que se previa". Análises detalhadas excluiram a hipótese de a origem ter vindo de estrelas primordiais ou de fontes rádio conhecidas. A fonte desta radiação de fundo permanece, por isso, em mistério.

"Isto é o que torna a ciência tão excitante", diz Michael Seiffert, um membro da equipa no NASA's Jet Propulsion Laboratory em Pasadena, Calif. "Traças um caminho para medir algo - neste caso, o calor emitido pelas primeiras estrelas - mas dás de caras com outra coisa completamente diferente e inexplicável".

O ARCADE é o primeiro instrumento suficientemente preciso para detectar esta radiação misteriosa. Para aumentar a sua sensibilidade dos seus receptores rádio, estes foram imersos em mais de 2 270 litros de hélio líquido a 2,7 Kelvin ( -270,3 ºC).

Este é a mesma temperatura que a radiação cósmica de fundo (CMB), descoberta em 1965. " Se o ARCADE está à mesma temperatura que a CMB, então o calor do instrumento não contamina o sinal", explica Kogut.

Jan 10, 2009

Maior Lua Cheia do Ano

Este final de semana a Lua atingiu a fase de Lua Cheia e, simultâneamente, encontra-se no perigeu (momento em que está mais próxima da Terra, que atinge uma vez por mês (podendo atingir duas vezes)). Assim sendo, a Lua está 14% maior e 33% mais brilhante que o habitual. E este fim de semana Portugal tem um bónus! Neve! Lá fora, com o brilho acrescido desta Lua Cheia em perigeu e com a paisagem coberta de neve (diminuindo a luz absorvida) parece estar uma noite muito mais clara que o costume! Vão dar uma olhadela lá fora.
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This weekend's full moon is the biggest of 2009, because the moon has reached the perigee and because of that, it is 14% wider and 33% brighter than usual. A brighter moon combined with the unusual snow that fell in Portugal this weekend (which absorves less ligh), make the night look less dark than we are used to see.

Jan 9, 2009

Buracos Negros e Galáxias: Quem Nasceu Primeiro?


O equivalente astronómico da pergunta "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?". Os astrónomos têm vindo a descobrir que as galáxias supermassivas alojam buracos negros nos seus centros, e ainda outra peculiaridade: qualquer que seja a massa do buraco negro, o bojo da sua galáxia é constituído por estrelas velhas e contém sempre cerca de 700 vezes essa massa. Agora a questão que surge é: quem nasceu primeiro, o buraco negro ou a galáxia?

Quarta-feira, novos resultados foram anunciados sugerindo que foram os buracos negros que primeiro se formaram. Uma equipa internacional liderada por Chris Carilli (National Radio Astronomy Observatory) usando vários radiotelescópios em vários países, observaram 4 quasares distantes (galáxias com forte actividade no seu núcleo brilhante, provocada pelo seu buraco negro). Devido à sua grande distância entre nós, a luz que nos chega foi a que partiu desses quasares apenas mil milhões de anos (ou menos) depois do Big Bang!

Os resultados obtidos revelaram que o bojo era apenas 30 vezes mais massivo que o buraco negro. "Em todos os quatro casos, as massas dos buracos negros eram 20 a 30 vezes maiores do que o previsto com base na relação observada no Universo nas redondezas", diz Carilli. "A conclusão mais simples é que primeiro surgiram os buracos negros, e de alguma forma cresceram galáxias à sua volta".

No entanto, Carilli aponta que estes resultados necessitam de ser confirmados com observações futuras, inclusivé melhores estudos com grandes radiotelescópios actualmente em construção, nomeadamente o Expanded Very Large Array (EVLA) e o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA).

Fonte: http://www.nrao.edu/pr/2009/bhbulge/j1148.slide.jpg

Jan 3, 2009

AIA 2009

2009 é o Ano Internacional da Astronomia, 400 anos depois de Galileu Galilei apontar o seu telescópio para o firmamento. É um acontecimento à escala mundial com o principal objectivo de divulgar a Astronomia para o indivíduo comum, bem como a partir desta as ciências em geral.
Portugal também participa no evento, mais informações no site http://www.astronomia2009.org/
Feliz 2009 e sucesso ao AIA 2009!